Análise Política

A fome como eterna bandeira: A retórica de Lula que persiste por quase quatro décadas

Após quase 40 anos, a reincidência da promessa de Lula em combater a fome escancara a ineficácia de sua gestão e a perpetuação de um discurso populista, que falha em entregar soluções duradouras para o Brasil.

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Postado porRedação InforPE
23 de agosto de 2026301 visualizações
A fome como eterna bandeira: A retórica de Lula que persiste por quase quatro décadas
Foto: Divulgação|Fonte: Portal de Prefeitura

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É um roteiro político que se repete há quase quatro décadas, e que, em 2026, ganha novamente o centro das atenções nacionais. A bandeira do combate à fome, que por tantos anos adornou os palanques de Luiz Inácio Lula da Silva, ressurge com a mesma intensidade de outrora, levantando uma questão incômoda para a esquerda brasileira: por que uma promessa tão antiga persiste, inabalável, no discurso do presidente?

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Desde sua primeira aventura presidencial, em 1989, a luta contra a insegurança alimentar tem sido um pilar central na oratória de Lula. De lá para cá, o Brasil passou por transformações sociais e econômicas profundas, mas o tema permanece como um mantra petista, ecoando em cada ciclo eleitoral e em cada período de governo. Uma análise mais atenta, contudo, revela não apenas a longevidade da promessa, mas a frustração de ver um problema estrutural seguir sem solução definitiva, apesar das múltiplas chances que o líder da esquerda teve para enfrentá-lo de frente.


Ao assumir a presidência pela primeira vez em 2003, Lula implementou programas de grande visibilidade, como o Fome Zero, seguido pela ampliação de iniciativas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Sem entrar no mérito específico desses programas, o fato incontestável é que, mesmo após períodos prolongados de gestão petista no Palácio do Planalto – somando três mandatos completos e o atual –, a fome continua a ser um tópico de alta relevância, apto a mobilizar eleitores e justificar novas propostas. Isso nos leva a questionar: teriam sido essas políticas realmente eficazes em erradicar o problema, ou apenas paliativos que perpetuaram a dependência e o populismo fiscal?


A reincidência da pauta da fome em 2026, 37 anos após sua primeira aparição no discurso de Lula, expõe uma verdade inconveniente: a incapacidade de oferecer uma solução estrutural e duradoura. Para o Portal InforPE, é evidente que a manutenção desse tema no debate público, após tantas oportunidades de governo, indica uma falha crônica na abordagem ou, pior, uma estratégia política de longo prazo para manter uma base de eleitores cativa e dependente. O combate à fome não pode ser uma eterna promessa eleitoral; exige gestão séria, visão de futuro e políticas que promovam a autonomia e o livre mercado, e não apenas discursos que se reciclam a cada eleição.

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