Justiça e Trabalho

Escândalo na Drogasil: Justiça cobra R$ 2 milhões por humilhação e desrespeito a trabalhadores em Pernambuco

Ação civil pública do MPT-PE expõe uma prática inaceitável da rede de farmácias, que sacrificava a saúde e a dignidade de seus colaboradores, forçando-os a trabalhar em pé desnecessariamente.

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Postado porRedação InforPE
20 de agosto de 2026186 visualizações
Escândalo na Drogasil: Justiça cobra R$ 2 milhões por humilhação e desrespeito a trabalhadores em Pernambuco
Foto: Divulgação|Fonte: Portal de Prefeitura

Em um claro sinal de que a lei e a dignidade do trabalhador devem ser respeitadas, o Ministério Público do Trabalho em Pernambuco (MPT-PE) deflagrou uma ação civil pública contra a gigante Raia Drogasil. A denúncia choca pela gravidade: a rede de farmácias é acusada de manter seus funcionários em pé durante toda a jornada de trabalho, mesmo quando não havia necessidade ou atendimento a clientes, ignorando princípios básicos de ergonomia e, mais grave ainda, a existência de assentos nos locais de trabalho.

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As investigações, que culminaram no processo que tramita na Justiça do Trabalho do Recife, revelam um padrão de conduta abusivo. Relatos de operadores de caixa e balconistas são unânimes: cadeiras estavam disponíveis, mas seu uso era proibido em diversas situações, transformando o local de trabalho em um ambiente de exaustão forçada. Funcionários e ex-colaboradores confirmaram em audiência que a permanência prolongada em pé causava dores insuportáveis nas pernas, pés e coluna, levando a um esgotamento físico extremo ao fim de cada expediente.

A procuradora do Trabalho Vanessa Patriota, responsável pelo inquérito civil, foi contundente ao afirmar que tal exigência não tinha qualquer relação com a necessidade do serviço. Em vez disso, caracterizava-se como uma repreensível forma de controle e disciplina sobre os trabalhadores. “Exigir a permanência em pé, apenas como forma de disciplina do trabalho, afronta a legislação e contraria os princípios da ergonomia. Os trabalhadores são submetidos a esforço e desconforto diários e desnecessários que poderiam ser facilmente evitados sem qualquer prejuízo à execução de serviço”, declarou, destacando a gravidade da postura empresarial.

A conduta desumana foi identificada em várias unidades da Drogasil na Região Metropolitana do Recife, incluindo lojas em Água Fria, Boa Viagem, Campo Grande, Casa Forte, Espinheiro, Graças, Janga, Paulista, Jaqueira, Olinda Centro, Rosarinho, Torre e no Shopping Tacaruna, em Santo Amaro. O próprio documento da empresa, a Análise Ergonômica do Trabalho, contrariava a prática imposta, indicando claramente a necessidade de alternância de postura, disponibilidade de assentos para descanso e pausas, conforme a Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17).

Para o MPT-PE, essas medidas são cruciais para prevenir fadiga, dores e problemas circulatórios, garantindo um mínimo de conforto e respeito ao trabalhador. Diante da flagrante violação, a justiça agora cobra uma indenização de R$ 2 milhões, um valor que busca reparar, ainda que simbolicamente, o sofrimento imposto a tantos. Este caso serve como um alerta severo para todas as empresas: a busca por resultados não pode, em hipótese alguma, atropelar a saúde, a dignidade e os direitos mais básicos de seus funcionários.

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